Professora, especialista em Educação Infantil, Anos Iniciais e Gestão Escolar, diretora aposentada pelo Estado de Santa Catarina, vencedora do Prêmio de Educação Professora Onadir da Silva Tedéo em 2008 (prêmio do município de Itajaí), mãe de dois filhos, avó de dois netos (10 e quatro anos) e vencedora de uma luta contra as duas neoplasias – cânceres – que mais acometem as mulheres: na mama e no útero. Esse é o currículo sucinto de Glóris Belli, a querida funcionária da Aupex Itajaí, 59 anos.
Ela decidiu contar a sua história de luta contra a doença para sensibilizar sobre o câncer, data que tem em 8 de abril o Dia Mundial de seu Combate, e serve para conscientizar a população mundial sobre os cuidados à segunda doença que mais mata pessoas em todo o mundo. Os cânceres que mais atacam os brasileiros são os de: pele, próstata, mama, cólon e reto, pulmão e estômago. Mas a pedagoga os venceu com muita disposição. “Eu sempre encarei esses tumores com muita naturalidade”, revela.
No ano de 1996, aos 38 anos de idade, Glóris descobriu seu primeiro câncer, no útero, após fazer o exame Papanicolau – exame de rotina preventivo para mulheres em estado reprodutivo. “No momento em que eu recebi a notícia, eu fiquei chocada. Não havia ninguém com essa doença na família. Mas a época era outra, sem tanta informação e nem com o tratamento que se tem hoje”, justifica. “O que eu sei é que neste momento a gente precisa recbeer muito apoio e ter forças para não desabar”, completa.
O tumor obrigou os médicos a fazerem a histerectomia, retirada total do útero. E ao receber o diagnóstico de que estava curada, a pedagoga percebeu que possuía uma força interior muito grande. Esta consciência foi essencial para que ela recebesse firme a notícia, seis anos depois, em 2002, de que estava doente novamente. Desta vez com um tumor maligno na mama. “Minha família ficou muito impactada porque o diagnóstico era grave, e eu vou ser sincera: não me abalei”, revela.
O tratamento contra este câncer foi muito diferente, segundo ela. Dentro de 30 dias Glóris passou por cirurgia, e 60 dias depois, durante as sessões de quimioterapia, perdia seus cabelos, algo que não aconteceu na luta contra o primeiro câncer. Foram oito meses de tratamento intenso e, ainda assim, ela não se afastava do seu trabalho na educação.
“A quimioterapia era realizada em Itajaí, onde eu morava. Mas depois, na época da radioterapia, eu precisava ir todos os dias para Blumenau, local com este serviço. Isso era desgastante”, recorda em sua única reclamação. Para ela, o engraçado era que a família e os amigos faziam sempre tudo o que ela queria “pois achavam que eu poderia morrer, mas eu nunca me via doente”. Ela destaca que os filhos e marido sempre foram muito confiantes no tratamento. “Meu marido sempre afirmou que me aceitaria do jeito que eu ficasse. E por um milagre não foi necessário a mastectomia total (retirada do seio).
Justamente nesta fase em que lutava contra um câncer, Glóris foi convidada a ser diretora na escola estadual onde trabalhava. “Eu sempre brinco que me deram esta oportunidade porque achavam eu iria morrer”, ironiza. “Mas foi isso que me deu forças. E assim eu superei o câncer: trabalhando”.
Vencido o tratamento contra o câncer, em 2005, Glóris conheceu a Aupex ao começar uma parceria com a Pós-graduação. “Eu procurava por uma especialização na área de gestão. Depois de um tempo passei a divulgar as Pós e, assim, fui convidada para trabalhar na instituição em Itajaí”.
Aposentada desde 2010 pelo Estado, hoje ela atua exclusivamente no Polo de graduação e Pós-graduação da Aupex Itajaí que oferece os cursos superiores pelas certificadoras Unigran e Facel, e pode ser considerada o braço direito dos gestores da instituição. “Eu gosto de trabalhar, de ter contato com os alunos, aqui eu faço o que eu realmente gosto”, afirma.